Pergunto-me vezes sem conta porque nasce o dia se ele traz nas suas horas, dores e tristezas. Porque não fica ele escondido no manto negro da noite onde os sonhos, como fantasmas que vagueiam pelo infinito, se soltam e nos embalam o sono…
Procuro nas incertezas dos segundos que batem os compassos de um coração ferido, um raio de sol que possa afastar a chuva miudinha do meu olhar. Mas as lágrimas são rio sinuoso que se infiltra até a alma, afogando toda a esperança…
Olho pelos caminhos que a vida traçou nas páginas de meu ser e leio baixinho cada sentido que nelas se gravaram. Tropeço nos sulcos profundos onde a magoa se alojou e rumo em direcção as tormentas que cada dor provocou…
Afogo-me no desespero das cores neutras e deixo-me embalar pela melodia triste de mais um dia que se acaba sem um sorriso…
E no horizonte, uma pequena lua enfeita-se de magia para de novo me fazer sonhar…




