| | ||||||||||||||
| | ||||||||||||||
| | ||||||||||||||
Quando eu me encontrava preso na cela de uma cadeia
Foi que eu vi pela primeira vez as tais fotografias
Em que apareces inteira, porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens.
Terra, Terra
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Eu estou apaixonado por uma menina terra
Signo de elemento terra, do mar se diz terra à vista
Terra para os pés firmeza, terra para as mãos carícia
Outros astros lhe são guia.
Terra, Terra
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Eu sou um leão de fogo, sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente, e de nada, de nada valeria
Acontecer de eu ser gente, e gente é outra alegria
Diferente das estrelas.
Terra, Terra
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
De onde nem tempo, nem espaço, que a força mande coragem
Pra gente te dar carinho durante toda a viagem
Que realizas do nada e através do qual carregas
O nome da tua carne.
Terra, Terra
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Autor: Caetano Veloso
Intérpretes: O Sagrado Coração da Terra
André Matos (Vocal) - Ivan Correia (Contrabaixo)
Lincoln Cheib (Bateria) - Augusto Rennó (Violão e Guitarra)
Marcus Viana (Voz, Teclados, Violoncelo, Violino elétrico e acústico)
| |

1 comentários:
Lendo a letra de terra lembrei-me de Mandela e liberdade.
Há alguns dias postei um texto que tratava de liberdade. As várias formas de como vemos, interpretamos e vivenciamos a liberdade. Liberdade é fazer o que se quer, sem ter que se prestar contas a ninguém, ou é algo mais sútil e belo?
Vim conhecer a música "Terra" de Caetano Veloso quando eu tinha vinte e poucos anos e ansiava mais do que tudo por liberdade. Naquela época a "prisão", para mim, era algo exterior a mim, vinha de fora pra dentro e eu achava que liberdade era fazer o que me desse na telha. E, como o que me dava na telha nem sempre era realizável, quer dizer, eu achava que não era realizável, eu mesmo me impunha limites e culpava o universo pelo meu crime. A letra de "Terra", desde aquela época, exercia um fascínio sobre mim que somente hoje venho a compreender. O que me fascina em "Terra" é o fato de que liberdade não é algo de fora prá dentro, mas, sim, algo que desenvolve o caminho contrário: é algo de dentro prá fora. Não se é prisioneiro por que alguém nos encarcerou. Se é prisioneiro porque nós mesmos nos encarceramos. A liberdade verdadeira é interior e se manifesta mesmo quando estamos literalmente encarcerados. Não se expressa em se fazer o que dá na telha e, sim, fazer-se o que é preciso ser feito.
Caetano Veloso com sua música "Terra" e Nelson Mandela, prisoneiro durante décadas, com sua luta por liberdade não para si, que, isto, já ficou provado, que ele possuía, são os símbolos que me ocorrem agora desta liberdade interior, que não pode ser tirada, concedida ou delegada.
"Terra", para mim, é um hino à Verdadeira Liberdade.
Postar um comentário